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Mudança tributária: risco para o resultado ou oportunidade estratégica?

  • Foto do escritor: João P. Coneglian
    João P. Coneglian
  • há 14 horas
  • 3 min de leitura
Reunião de negócios

A inclusão de PIS e COFINS na cobrança das vendas de recicláveis trouxe uma preocupação imediata para o setor e acendeu um alerta para os demais: o risco de redução de margem em operações e impacto direto nos resultados.


Mesmo que o seu negócio não esteja nesse segmento, entender a dinâmica (e principalmente como contorná-la) é estratégico, especialmente diante das transformações que a reforma tributária ainda trará. Além do imposto em si, o que está em jogo é a forma como ele impacta no custo real, na precificação e, principalmente, na tomada de decisão.


No primeiro momento, a notícia parece mais alarmante do que já é. Quem trabalha com recicláveis já enfrenta margens muito baixas e com a inclusão de 9,25% de tributos sobre a venda, na somatória do PIS e do COFINS do lucro real, naturalmente iria ver uma retração de margem que inviabilizaria os negócios. A parte que pode passar despercebida, no entanto, é que da mesma forma que a empresa será debitada em 9,25%, quem comprar essa mercadoria será creditado em igual percentual.


O foco aqui será no impacto financeiro. Para isso, é interessante entendermos o conceito de custo real das mercadorias. O custo real não é, necessariamente, o custo que é pago ao fornecedor, e sim o custo já constando tudo que engloba a compra. Um exemplo é o caso dos fretes e despesas acessórias, que devem ser adicionadas ao custo do fornecedor para chegar no custo real. Só que o custo real da mercadoria também pode ser beneficiado pelos créditos, caso existam.


Para ilustrar, vamos focar na situação atual – inclusão de PIS e COFINS na cadeia – e construir um cenário hipotético, porém numérico. Imagine que não haja alteração de preços da LATA, que custa, nesta situação hipotética, R$10,00 o quilo. Ambos vendedor e comprador fazem parte do lucro real.


ÓTICA DO VENDEDOR

 

ANTES

DEPOIS

PREÇO DE VENDA

R$10,00

R$10,00

DÉBITO PIS/COFINS 

R$0,00

R$0,925

VENDA LÍQUIDA

R$10,00

R$9,075

 

ÓTICA DO COMPRADOR

 

ANTES

DEPOIS

PREÇO DE COMPRA

R$10,00

R$10,00

CRÉDITO PIS/COFINS

R$0,00

R$0,925

CUSTO REAL

R$10,00

R$9,075

 

O vendedor ganhará menos, já o comprador terá uma oportunidade de recuperar créditos e ter seu custo real reduzido.


Nesse caso a solução para não lesar nenhuma das partes é embutir o valor do imposto no preço final. Para fazer isso, basta seguir a seguinte fórmula:


PreçoNovo = PreçoAntigo / (1 – 9,25%)


Isso gerará um reajuste de preços em 10,19%.


PreçoNovo = Preço Antigo * (1 + 10,19%)


O preço de venda novo da lata de R$11,02 e o cenário seria:


ÓTICA DO VENDEDOR

 

PREÇO NOVO

PREÇO DE VENDA

R$11,02

DÉBITO PIS/COFINS 

R$1,02

VENDA LÍQUIDA

R$10,00

 

ÓTICA DO COMPRADOR

 

PREÇO NOVO

PREÇO DE COMPRA

R$11,02

CRÉDITO PIS/COFINS

R$1,02

CUSTO REAL

R$10,00

 

Com o ajuste de preço, o custo real do comprador passa a ser exatamente o que ele tinha antes das mudanças tributárias. Na prática, não há comprometimento do resultado tanto para o vendedor (que segue com uma venda líquida de R$10,00/kg) quanto para o comprador.


 Num ambiente tributário tão desafiador como o brasileiro, mudanças geram muitas dúvidas em quem não entende ou não está devidamente assessorado.


Por isso, é necessário compreender a dinâmica tributária tanto do seu negócio como também no do seu cliente. Essa visão sistêmica permite negociar melhor, ajustar corretamente os preços e margens e equilibrar as relações comerciais.


Se esse exemplo fez sentido para o seu contexto, substitua a palavra “lata” pela palavra que representa sua mercadoria e o valor de R$10,00/kg para o seu valor atual de venda/compra. A lógica estratégica e a oportunidade permanecem as mesmas.

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